Você conhece a história da maconha? Saiba como tudo começou

Tendo sido usada como um meio para atingir a euforia desde tempos muito remotos, o história da maconha inicia-se nas evidências chinesas do uso da maconha de maneira medicinal, em material que é considerado de mais de 2.700 anos antes de Cristo.

Sua utilização espalhou-se da China para a Índia e, posteriormente, para o norte da África, atingindo a Europa há mais de 2.500 anos. Assim inicia-se a história da maconha, que – diferentemente do que muitas pessoas podem pensar – é uma companheira antiga da humanidade para tempos bons e ruins.

A planta da maconha

Foto: Satish Krishnamurthy/Flickr/CCBY

Foto: Satish Krishnamurthy/Flickr/CCBY

A primeira referência direta a um produto vindo da cannabis, a planta da maconha como um agente psicoativo data de 2737 a.C., em registros escritos do imperador chinês Shen Nung. O foco da utilização estava em seus poderes como uma medicação para reumatismo, gota, malária e para problemas mentais que não puderam ser identificados pelos historiadores.

Há menções sobre sua propriedade de intoxicação benéfica, mas o valor medicinal era o mais importante naquele contexto. Na Índia, no entanto, a história da maconha envolve claramente o seu uso recreacional. O mesmo ocorreu com muçulmanos antigos, que apresentam evidência da utilização da maconha como uma alternativa à proibição religiosa do álcool.

Foram os muçulmanos, também, que introduziram o consumo do haxixe, cuja popularidade aumentou muito e espalhou-se rapidamente pelas regiões da Pérsia (atual Irã) e do Norte da África durante o século XII.

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História da maconha nas Américas

Em 1545, os espanhóis trouxeram a maconha ao Novo Mundo. Nos EUA, foram introduzidas em Jamestown em 1611, onde tornou-se a maior semente comercial ao lado do tabaco, e era plantada como uma fonte de fibras.

Por todo o continente, a planta da maconha era utilizada como uma fonte de fibra resistente e suas flores eram utilizadas para efeitos recreativos. Em 1890, a maconha foi substituída pelo algodão como fonte de fibras têxteis, que era um dos grandes negócios da Inglaterra, por exemplo, ao passo que boa parte do resto do continente estava mais focada em extração e plantio de cana.

Algumas patentes de remédios utilizavam a maconha como um de seus princípios, mas nada tão grandioso quanto o que ocorria com o ópio.

Em 1920, houve a explosão da utilização da maconha recreativa nos EUA. Historiadores afirmam que, dentro da história da maconha, faz sentido atribuir isso à proibição alcoólica no país. Antes, eram mais restritos a músicos e pessoas relacionadas ao cenário do jazz, e logo começou a se estabelecer em diversos clubes e negócios, comumente chamados de “casas de chá”.

Na época, a droga ainda não era proibida e a maconha nem era cogitada como um problema social. Durante muitos anos, esteve listada entre os produtos farmacológicos do país, prescrito para várias condições de saúde diferentes.

Início da proibição

A história da maconha e de sua proibição no mundo ocidental é diretamente relacionada à proibição do álcool. Durante as  décadas de 1920 e 1930, a divisão de combate a narcóticos dos EUA esteve muito preocupada com o combate ao álcool e com a máfia que a proibição gerou.

Quando esta batalha foi perdida, percebeu-se que a criação de toda aquela estrutura de combate ao álcool não possuía mais utilidade. Como forma de manter-se, segundo alguns analistas, a divisão de narcóticos iniciou a gerar o retrato maléfico da maconha como uma droga poderosa, viciante e que gerariam o vício em diversas outras drogas.

É esta mesma visão de que a “maconha é uma porta de entrada” para outras drogas, desenvolvida na década de 1930, que persiste até hoje entre algumas autoridades. Nos anos 60, a maconha tornou-se símbolo de estudantes e hippies, como uma espécie de ícone de rebelião pacífica contra as autoridades.

A história da maconha repensada

A partir deste ponto, inicia-se o fornecimento de maconha através de toda a América Latina e o estabelecimento da chamada Guerra às Drogas, que durante décadas não consegue apresentar resultados significativos.

Baseados nisso, alguns governos iniciaram o planejamento da descriminalização da maconha e, inclusive, de sua reintrodução como um produto legal e regulamentado, a exemplo dos Países Baixos, do Chile e, até mesmo de alguns estados dentro dos EUA.

Isso não significa que a aceitação da maconha seja o capítulo final em sua longa história, pois envolve uma série de questões religiosas, de quebra de paradigmas conservadores e de estabelecimentos sociais. Representa, no entanto, um momento de reflexão e possibilidade de mudança muito importante em relação à forma de se enxergar a maconha.

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